
A Importância do Jogo e da Ludicidade Para a Educação
Referências:
Alvarez, L. (2012). No mundo do faz de conta. Em Educação Infantil. 3ª Edição. Obtido de http://revistaei.com.br/edicao/3/proposta-pedagogica/no-mundo-do-faz-de conta1
Samulsky, D. (1997). Educação por meio do movimento e do jogo. In C. Neto (Ed.),. (L. F. Humana, Ed.) pp. 226-237.

O jogo infantil pode ser entendido como assimilação da realidade, como comunicação social, como solução de conflitos, como sensação de fluidez e como ação intrinsecamente motivada. (Samulski, 1997, p.226)
A importância que brincar tem no desenvolvimento da criança, é já bastante conhecida e comprovada, mas pouco ou quase nada aplicada, sobretudo a partir da escolarização obrigatória, relativamente à importância que tem para a aquisição de conhecimentos e desenvolvimento da mesma.
Na interação com os seus pares, em atividades de jogo ou lúdicas, os diferentes parceiros tomam consciência das suas reações, do seu poder sobre a realidade.
Apesar de se tratar de um assunto muito discutido, considerei importante refletir sobre o que observei durante 7 anos nesta vertente, algumas brincavam sozinhas, na área das construções, onde eram os engenheiros e construíam os prédios para as pessoas morarem, outras brincavam em conjunto, por exemplo, na área do cantinho da leitura, onde uma criança imitava o educador na hora do conto e as outras ouviam a história, fazendo-se passar por elas mesmas. O brincar, a ludicidade, é uma forma de expressão e comunicação, é uma atividade espontânea que desperta o prazer, e, consequentemente o interesse.
Talvez pelo conhecimento que adquiri no que diz respeito à importância do jogo e da ludicidade, esta rotina, ou falta dela, sempre me levou a questionar o porquê da criança não ter mais, muito mais tempo para aprender brincando, já que brincar é uma das formas de comunicação da criança, através de simbolismos a criança transpõe vivências importantes, desmistifica confusões, acalma ansiedades e resolve conflitos que, através da expressão verbal é, muitas das vezes, incapaz de fazer. Também constatei que é um facto que os momentos de brincadeira livre são muitas das vezes desvalorizados, tanto por educadores como pelos pais.
Outra função que considero importante do jogo em geral, é a de auxiliar a criança na sua socialização com os outros, principalmente aquelas que têm mais dificuldade em partilhar experiências ou opiniões.
A meu ver, o educador de infância pode tirar partido do que observa de cada criança nesses momentos. Estes momentos ludicos ao serem baseados na realidade e experiências de cada criança podem ajudar o educador a entender determinados comportamentos ou atitudes desta em variadas situações e, posteriormente, auxiliá-la.
É no jogo que a criança mostra como aprende melhor, podendo este tipo de observação ajudar o educador a perceber o estímulo que funciona melhor com cada criança em particular. Na minha opinião, o jogo e a ludicidade guarda a sua maior virtude no facto de ser espontâneo e utilizado pela criança de forma livre, sem limite de imaginação, mas que ajuda a criança a assimilar a realidade que a circunda e consequentemente as regras da sociedade em que vive.
O faz de conta que acontece naturalmente entre as crianças das mais variadas idades é uma forma de aprenderem sobre si mesmas e sobre o mundo. Essa brincadeira deve, portanto, ser respeitada, observada, registada e até mesmo incentivada por parte da escola. (Alvarez, 2012)
Ana Carla Sousa, 2020